Desistir.

domingo, 15 de junho de 2014 // Postado por Renoth





As vezes me pergunto o que leva todos os seres a tal ato. Eu particularmente tenho completa e total aversão a desistir de algo. Em qualquer assunto. Não importa quantas vezes tenha que quebrar a cara no mesmo caminho, eu não gosto de sair dele. Dá aquela impressão de que eu ainda não sei o que tem no final, e talvez, no fim, tudo fosse ótimo, talvez desse certo. TALVEZ. Mesmo odiando essa palavra, não consigo negar que seu potencial é infinito, e que ela tem o poder de fazer tudo ter sentido.
Infelizmente nem sempre as coisas funcionam de maneira positiva. Sabe, apesar de tudo, as pessoas continuam desistindo de mim. Bem rápido.
Eu não posso dizer que a culpa não é minha, seria injusto, mas talvez não exista nenhum mal em ficar triste por isso. Estou perdendo o dom de gritar e chorar com minha vida. Com filmes e livros não é tão difícil, mas com a minha vida... Veja, mais e mais parece que ela pende mais para a comedia do que para o drama. Ai resta dar algumas risadas, só pra participar da multidão que já ri ao redor.
Mas ei, não faça esse olhar triste, isso não é um drama. Eu disse logo acima é uma comédia, então ria. Mesmo, sem medo, não vou ficar bravo. Viu? Quem é um cara legal? Você é um cara legal! Está rindo agora? É mais fácil do que parece certo. E porque? Ora, você não sabe? É fácil porque você é um Babaca.
E o mais engraçado é que eu detesto desistir. Não dá. É estranho. Tem um gosto ruim.
Mas eu vou.
É isso mundo, eu desisto. De tudo. Parabéns.
Se der deu, se não der... Bem, não deu. Faz um certo sentido quando você pensa assim.
Muito trabalho, nenhuma diversão. Muito esforço, nenhuma recompensa e bastante abandono. E é isso que eu estou pensando agora. É claro, não faz um pingo de sentido e é francamente bem retardado. Mas é sincero, então lide com isso.
Além disso, meu celular foi roubado.
Sim, de novo.
Sim, ele era péssimo.
Sim, eu corri atrás do assaltante.
Foi mais ou menos assim. Lá estava eu, na noite, voltando do trabalho mais tarde (porque estava querendo um cargo super maneiro que eu não cheguei nem perto de conseguir) e estava no meu celular (um C3, da Nokia) na mão. Um cara passou, agarrou e saiu correndo. E eu sai correndo atrás dele. Ai ele subiu numa moto que já estava esperando ele e sumiu na noite.
Tudo isso por um C3... Cara, eu ainda estou custando a acreditar. Acho que corri atrás mais pelo chaveirinho do Tails que estava nele. Edição de colecionador...
E acho que é tudo por enquanto.
Isso não é uma volta, é só um desabafo.
E você já pode rir de novo. Ninguém mais vai te chamar de babaca por aqui. Inclusive, desculpa por isso. Acontece sabe, quando a gente está nervoso. Acho que é porque eu sou um babaca também.

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[Hiatus temporario~]

sexta-feira, 26 de abril de 2013 // Postado por Renoth





Boa noite, a todos vocês.
Eu não tenho um titulo pra isso, e sou pessimo com despedidas, então vou dizer só algumas palavras antes de me afastar do blog por um tempo. Como podem ver ali, no titulo, é algo que não será para sempre. Mas vamos encarar os fatos: Estamos no Brasil, terra onde "temporario" tende a ser algo que pode durar muito tempo.
E tempo é, majoritariamente, o problema.
Gosto de pensar que esse espaço onde eu postava (e se os deuses permitirem, lugar onde um dia voltarei a postar) bizarrices aleatorias e absurdas, desabafos e whaterever foi de alguma forma muito especial. Talvez não para os outros, provavelmente não para o mundo, mas pra mim.
Sabe, esse costumava ser um espaço feliz de risadas, e eu estou perdendo (lenta e gradativamente) o poder de escrever coisas engraçadas. Todos os meus textos recentes tem um tom insuportavel de drama e "mimimi me odeiam"... Não quero, e não vou, voltar a postar esse tipo de coisa aqui. Lágrimas não valem sorrisos, e não dá pra fingir que uma sala está cheia quando ela está vazia. Esse foi meu palco, e eu espero ter dado a vocês uma peça boa. Não uma ótima, não necessariamente bem escrita, mas algo que te fizesse rir ou esquecer ou mesmo chorar ou pensar ou... Bem, gostar de estar aqui.
Não estou indo pra longe. Não porque eu não quero, sério, sou pobre e não sairei da casa da minha mãe tão cedo (risos). Estarei de olho ainda nas coisas que me fizeram feliz aqui, no meu mundo que me trouxe tantas coisas novas. Amigos, esperanças, sonhos... Não, eu não jogarei tudo fora.
E eu voltarei, um dia.
Talvez não aqui, talvez não com esse nome...
Ainda assim, se puderem sorrir ou chorar comigo uma ultima vez estarei muito feliz.
Com todo o amor, e todo o carinho,
Renoth.
Grande beijo.

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Minha motivação é uma piada.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 // Postado por Renoth





Essa é uma nota curta, ok?
Eu estou trabalhando numa planilha pra minha mãe a cerca de 12 horas direto, e ainda assim acho que não vai dar pra entregar ela no prazo. Triste, é eu sei. A parte engraçada é que toda vez que eu vou desistir algo na minha cabeça diz : "Não desista! Lembre-se: você beijou um eminho shota!! Se você conseguiu aquilo, você consegue qualquer coisa! E foi fofo!! "
Eu não sabia se me sentia motivado ou se ria da minha própria cara. Escolhi me sentir motivado.
Em caso de confusão, estranheza ou o que seja, lembrem-se: Estou acordado a dois dias seguidos, passei a noite trabalhando numa planilha maldita e Não estou raciocinando direito. E eu beijei um eminho shota.... Ah, ele era tão fofo...

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O Renoth esqueceu o Titulo e por isso ficou publicou sem, mas ai ele lembrou e voltou a publicar com esse novo.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 // Postado por Renoth





Zidane em seu melhor estado shotacon :3
 Estou doente. Serio, doente. É só uma gripe, e eu vou sobreviver, mas isso não muda o fato de eu estar doente. Isso não é uma reclamação, de qualquer maneira. Doença significa menos motivos pra sair do meu quarto, menos motivos pra eu me esforçar em qualquer coisa e mais motivos pra dormir.... É tipo ficar milhonario do nada, mas ainda continuar sem dinheiro, entende?
Ganhei vários presentes de natal, e gostei da maioria deles. Uma boneca bruxa que segundo a caixa foi feita pra curar corações partidos e fazer você achar seu verdadeiro amor (juro que quando olhei pra isso na caixa comecei a me perguntar onde raios essa boneca estava durante toda a minha vida...), uma caixa de colecionador do pequeno principe (absurdamente infantil, já que é sobre a serie do Discovery Kids, e não sobre o livro de fato, mas realmente lindo) com ele segurando uma espada de luz azul brilhante e sorrindo seu mais belo sorriso (francamente, eu casava com ele mesmo que isso fosse crime -q não me culpem, beleza demais atrai pessoas estranhas), uma edição de Dead Boys Detectives (mangá norte-americano que possui personagens saidos do maravilhoso Sandman) que aparentemente (segundo pesquisas minhas no mercado livre) é rarissimo e vale pelo menos três vezes mais do que o pago por ele e bem... Chocolates. Uma caixa cheia de paipais-noeis e arvores de natal de puro chocolate. Foi um bom natal, mesmo.
E falando em natal, vamos falar sobre viagens de ano novo. Como foram as suas? Visitaram lugares interessantes? Bem, eu também fui a lugares ótimos. Para o Natal fui para a casa da minha avo materna no Rio de Janeiro, uma grande senhora que foi simplesmente muito doce comigo, também vi tios, tias, primos e pessoas estranhas que não sabiam se eu era um garoto ou uma garota (Tipo... serio mesmo???? eu estava de shorts, e minha perna é absurdamente peluda!). O mais engraçado foi a reação da minha vo a essa história. "COMO ASSIM PERGUNTARAM SE VOCÊ É RAPAZ OU MOÇA? O QUE ESSA MULHER TEM A VER COM SUA VIDA? NÃO GOSTO DISSO" "calma vo... eu não ia ser deselegante com a velhinha, ela veio me desejar feliz natal/ano novo e ai perguntou..." "Pois se eu estivesse lá você ia conhecer A deselegancia.".
Resumidamente, foi um espaço de aceitação, risadas e "você é rapaz ou moça? Ah, rapaz? Desculpa.. é que seu cabelo é tão bonito e seu rosto é tão delicado..." EU TENHO MALDITAS SOMBRANCELHAS DE TATURANA! SÃO ENORMES! SE EU PAREÇO UMA GAROTA ESSA É A GAROTA MAIS FEIA QUE JÁ EXISTIU!!! E, ok, passou.
Ai aproveitei que já estava no Rio, que o ano novo estava perto e pensei "Porque não passar esse ano novo com meu pai?". Ok, meu cerebro devia estar enguiçado no momento, porque devem existir 29849247294792179471 razões satisfatorias para isso e pelo menos 1857916357126357926359 outras que, apesar de não satisfatorias para outras pessoas me fariam sair correndo pra longe completamente pelado e gritando "DOIS MIL E DOZE É REAL, SALVE-SE QUEM PUDER!!!!!", mas bem... Eu estava tão "awwwwwwn" com a viagem até então que considerei a possibilidade como algo maravilhoso e digno de aplausos. Então, como todo bom idiota, eu fui lá.
Por motivos legais não posso entrar em detalhes sobre tudo que aconteceu nesse viagem. Sim, "motivos legais" que vem de "Eu sou um cara legal e não quero magoar pessoas que venham a ler isso porque seria o mesmo que jogar uma porrada de verdades na cara dela, e não"motivos legais" no estilo "NOSSA, DINOSSAUROS ARMADOS!!! Que ótimo motivo pra correr!".... Vou apenas listar um top momentos "Eu gostaria de sair correndo".
Como sempre, como eu cheguei lá a primeira coisa que ele fez foi falar do meu cabelo. Ele não consegue se conter nesse sentido, e não foi falta de eu falar pra ele que isso me incomodava. A graça dessa vez é que quando ele falou eu sorri e disse "Pois é, eles não estão lindos?" dando uma jogadinha de lado nos cachos. Ok, isso não foi um momento ruim... pra mim... E não foi um momento ruim pra mim porque era um momento ruim pra outra pessoa e... Acho que eu não posso mais usar motivos legais.... Não sou tão legal assim...
Depois tem... momentos constrangedores que eu não vou escrever. Vão desde ele me mandar tirar o esmalte preto da unha e dizer que nunca mais quer me ver assim até ele olhar com desprezo para minha caixa do Pequeno Principe. Francamente, ninguém e eu repito NINGUÉM tem o direito de olhar para o pequeno principe com despreso na minha frente. Aceite essa dica, ela pode salvar sua vida um dia.
Ah é, e outra pessoa me confundiu com uma garota. Segundo ele eu parecia uma garota porque era bonito, tinha cabelos longos e uma ótima postura. Meu pai estava comigo. Foi um amigo do meu pai que disse isso. Ele quase morreu, eu quase morri todo mundo quase morreu.... E EU TENHO MALDITAS SOMBRANCELHAS DE TATURANA, INFERNO! GAROTAS NÃO USAM ESSE TIPO DE SOMBRANCELHA! PESSOAS DO RIO DE JANEIRO, VOCÊS ME ASSUSTAM!e com isso... Cambio, desligo.
 

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[Conto solto] Fim do mundo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012 // Postado por Renoth





-Natanael! – Gritou Demi, sem maiores avisos.
Natanael deu um pequeno pulo, e se irritou um pouco. Eram raras as pessoas que tinham o poder de surpreendê-lo e o irritava que justamente Demi o tivesse.
-O que foi Demi?
-Amanha é o fim do mundo? - Perguntou. Seus olhos diziam que era uma pergunta séria, coisa rara vinda dele, e que ele esperava uma resposta igualmente séria.
Natanael revirou os olhos.
 -Como eu vou saber? - Perguntou.
 -Você é um anjo, certo? - Respondeu Demi. – Anjos estão ligados a Deus de um modo diferente dos demônios, assim sendo pode ser que você saiba.
 Natanael suspirou profundamente, se preparando psicologicamente para dar uma resposta. Não seria necessário qualquer tipo de preparo se a pergunta estivesse sendo feita por qualquer outra pessoa, mas Demi não se satisfazia com respostas pela metade.
-O que é o fim do mundo? - Perguntou. – É importante saber o que é algo pra poder saber se algo vai acontecer ou não. -Hum... Acredito que algo relacionado a explosões, fogo, muita água ou zumbis. – Respondeu Demi depois de uma rápida reflexão. – Talvez envolva dinossauros radioativos com armas. – Seus olhos começaram a brilhar. – Ou explosões termo-nucleares de capacidade aumentada, ou...
-Sabe, o problema do fim do mundo é que as pessoas não sabem o que ele é. – Disse Natanael, cortando a diversão de Demi. Seus olhos se perderam olhando pro céu por alguns segundos e logo depois ele voltou a falar. – O mundo de uma pessoa não é o mundo onde elas vivem. O mundo de uma pessoa é quem elas mais amam. Se todos morressem amanha, todos iriam juntos, de mãos dadas, para um outro lugar onde continuariam sua jornada através do tempo.
 -Isso não parece ruim... O fim do mundo seria uma coisa boa então?
-Isso não seria o fim do mundo. – Riu Natanael. – O fim do mundo é perder aqueles que você mais ama, ou aquela única e estranha pessoa que te liga ao chão ao mesmo tempo em que faz parecer que você está voando. Sabe, o mundo de muita gente pode de fato acabar. A verdade é que o mundo de muita gente acaba todos os dias.
-Mas o nosso não? - Riu Demi.
-Talvez sim, talvez não. Mundos não foram feitos para durarem para sempre. É por isso que acho que deveríamos ficar juntos enquanto podemos. – Riu.
-Essa noite?
-Essa, e em todas as outras depois dela.
-Até quando? - Perguntou Demi com um sorriso. Estava ficando corado por causa do frio, então Natanael lhe deu um abraço.
-Até o mundo acabar. – Sussurrou em sua orelha.

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Não é 42.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012 // Postado por Renoth





 E aqui vamos nós para um post aleatorio e sem nenhum tipo de sentido. É claro que você, leitor avido (e inexistente) do meu blog já está acostumado com minhas longas crises existencias sem nenhum pingo de sentido que eu coloco aqui de tempos em tempos, mas o mais engraçado é que essa não é uma delas, o que só vem a deixar esse ainda mais sem sentido que o de costume. Vamos lá?
Eu me pego escrevendo sobre qualquer coisas nesses dias longos de tedio. Sobre a vida, a morte, o universo e tudo mais. Sobre sonhos estranhos em que retorno com coisas que jurei enterrar ou mato coisas que jurei continuar, sobre meus tão amados personagens que parecem cada vez mais saber sobre mim. Sobre o fim do mundo, e de como seria divertido ver todos se desesperando se de fato ele chegasse.
Ah, como eu gostaria que minha fosse só uma peça de teatro ruim... Eu bateria palmas, por pura obrigação, no final e iria embora pra casa. Voltaria depois, pra ver uma peça com um elenco melhor e mais bem produzida. Teria bons tempos rindo do fiasco que seria a comparação de uma coisa e outra. Talvez o titulo fosse "O garoto que não sabia o que fazer da vida". É um bom titulo. Pessoas se identificariam com ele.
Tenho 19 anos. São quase duas decadas, embora não pareça muito tempo. Ainda não fiz nada relevante aos interesses de ninguém. Pessimo programador, escritor de segunda ou terceira mão, desenhista de merda, ator mediocre e bem... Vocês não querem uma lista, querem? Listas são intediantes.
A faculdade está parada (e está bem longe de ser a primeira vez) por um tempo, as materias são um verdadeiro pé no saco, vou reprovar na porra toda e bem... Não achei que fazer jogos digitais fosse ser algo tão produnda e verdadeiramente chato. Nem que eu não tivesse capacidade pra programar um calculadora de segunda mão.... Quero sair dela. Quero sair de tudo. Tomar a saida dos covardes de uma vez por todas.
Os contos estão pela hora da morte. Literamente, já que eu não consigo terminar nenhum deles.
E os amigos... Bem, devo ter dois ou três na faculdade e uns outros dois ou três fora dela. A presença da maioria das pessoas me incomoda profundamente, e estou muito perto de mandar uma ou duas duzias de pessoas enfiarem objetos pontiagudos e afiados em seus orificios anais. Simpatico como sempre, eu sei.
Mas eu jurei que isso não era uma crise. Não é. É só um pensamento (que parece uma crise, tem cheiro de crise, faz chorar como uma crise, mas não é uma crise) sobre tudo que eu citei acima. Todas as alternativas marcadas com um X bem forte em um tom de caneta vermelha. Como um erro que não sei ainda se cometi ou não, mas que já está valendo pontos em questões que ainda não existem.
Ando pensando no significado da vida. Por vezes chego a conclusão de que ela não significa nada. Se tudo tem um significado, uma origem e um fim que acabam e começam no mesmo lugar, definitivamente a resposta não é 42. Eu não sei qual é, nem se é um numero, mas 42 com toda a certeza não é. Talvez 13 + 16x - 2x². Tá ai uma resposta que faz sentido. Talvez só faça sentido pela sua completa e absoluta falta de sentido, mas é, faz todo.
O que tem do outro lado da vida? Me pergunto nas tardes sem nada pra fazer. Acho complicado que essa pergunta esteja na minha mão. Raramente lembro do que almocei ontem. Não sei quantas grades existem na minha própria janela. Ainda me cubro com um edredon do Bob esponja, que combina com todo o jogo de cama... Porra, existem pensadores nessa porra de mundo! Por que raios as questões tem que se perder justamente na minha cabeça? Eu nunca consegui responder uma que fosse satisfatoriamente. É como nos meus contos, quando nada faz sentido a culpa é das fadas. As fadas tem o dom de fuder com tudo.
Mas vamos lá... Espera... Já estamos lá. E já é hora de ir pra casa.

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[Conto solto] Três tiros.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012 // Postado por Renoth





Ele se suicidou, finalmente. Deixou um bilhete como prova incontestável do fato. Seu corpo estava morto, sem duvida. Três tiros na própria cabeça foi o jeito macabro que escolheu para morrer. Ninguém leu o bilhete, ele não era realmente importante. Ou ao menos não era importante como as grandes marcas de sangue misturada aos próprios miolos que foram feitas nas paredes e em sua cama. O grande sorriso em seu rosto era quase macabro... Quase irreal.
Como alguém poderia dar três tiros na própria cabeça?
Dizem que o tempo de vida que se tem depois que se atira na própria cabeça é de alguns centésimos de segundo. Tudo que se escuta quando acontece é um grande barulho, e depois mais nada. Não há tempo para se sentir dor, não existe mais vontade de se acender um cigarro. Então... Como? Jornais se perguntaram por dias, especialistas deram todos sua opinião, e nenhum deles chegou a uma conclusão válida.
Seu corpo foi encontrado em seu próprio quarto,  que estava trancado por dentro. Sua janela tinha grandes grades de ferro, que ainda estavam intactas. Sua morte era o mistério que nunca havia conseguido escrever. Sua grande obra. Seu derradeiro e maravilhoso desafio a lógica humana. Como ele havia feito?
Sua família negava, é claro, que fosse suicídio. Mesmo com o bilhete, o sorriso, a pólvora em suas mãos e o revolver que tiveram que serrar de sua mão para que fosse solto. Ninguém pode dar três tiros em sua própria cabeça, afirmavam. Devia ser obra de um estranho e maquiavélico assassino, um psicopata louco e perigoso que definitivamente estava solto por entre as ruas. Deveria ser um homem perigoso... 
As grandes cicatrizes em seu pulso eram provas claras a policia de que ele era um suicida em potencial, ou que ao menos tinha o potencial latente de um suicida. Algumas eram roxas e profundas, enquanto outras não passavam de manchas claras e antigas em sua pele. Sua perna ainda tinha vários cortes não cicatrizados. Alguns ainda manchados de sangue quase fresco.
Na morte ele havia se tornado uma das mais macabras celebridades. Camisetas com crânios de três furos de bala na cabeça eram comercializadas, e vendiam como água. Alguém havia invadido seu computador, conversado com amigos, lido seu facebook. Biografias e mais biografias eram vendidas diariamente, e a verdade é que nenhuma delas captava nem de longe a vida dele. Eram esboços de um personagem muito mal criado, mas que agradavam publico e critica.
Era uma pena que ninguém tivesse lido a carta. Nela havia a explicação do truque das três balas, bem como um manual de instruções bem simples de como ele havia feito. Era uma reciclagem de um truque de mágica, um ilusionismo barato e de segunda categoria. É uma grande ironia que a única coisa relevante que ele já tenha dito tenha se tingido com o próprio sangue e pequenos pedaços de seu cérebro. Seu único cálculo ruim naquela aventura que o tinha transformado num símbolo.
É uma pena também que a maioria dos símbolos seja assim. Produzido e distante de sua verdadeira forma. Suas habilidades são reconhecidas até certo ponto, mas só até o ponto que interessa. Só até o ponto que é rentável, vendível.
Ele seria um grande romancista, talvez. Na verdade, ele poderia ser um grande qualquer coisa. Em vez disso ficou conhecido como o homem das três balas, futuro lenda urbana. O mais engraçado é que antes mesmo de virar lenda já não sabiam o nome dele. Suas biografias se misturavam em informações desencontradas que não conseguiam dizer nem seu local de nascimento.
A morte deu, pessoalmente, os parabéns a esse ninguém. Ninguém sabe disso. Ninguém quis saber. Ele só era o homem das três balas.

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Em algum lugar...
Contos e pedaços aleatórios da minha vida. Quase um diário, quase um poema, quase um livro. Se descobrir o que é, favor contactar contando.
Sakura’s warning: não mexam na groselha na geladeira. Grata.

Quem?

Eu? Bem, não há muito a dizer. Cursando o segundo semestre da faculdade de jogos digitais na fatec, e o sexto ou sétimo modulo do curso de computação gráfica da Saga. Um futuro profissional da área de jogos, ou de qualquer outra área que venha a me aceitar. Um pequeno monstro com um grande fraco pelo Konta.

como me achar?

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